Aproximar o produtor do consumidor

Aproximar  o produtor do consumidor

Storytelling no varejo de alimentos: oportunidade para aproximar

o produtor do consumidor

por Gustavo Porpino*

Ft 1 - Art - Mais historiasAgricultores, varejo de alimentos e consumidores precisam caminhar mais próximos. A união desses públicos, tão importantes para a economia brasileira, cria um cenário propício para a valorização da atividade rural  e incrementa a relação dos supermercadistas com os clientes. Todos saem ganhando.

Aproximar o produtor rural do consumidor é uma saída viável para desmistificar o agronegócio e enriquecer a relação com os consumidores com informação. Mais informações no ponto-de-venda sobre a origem dos alimentos significa tanto educação quanto transparência. Para alcançar esse objetivo, é preciso ir além da etiquetagem com código de rastreamento. A boa notícia é que com criatividade pode-se conseguir bons resultados sem acarretar muitos custos, como apontam as iniciativas adotadas pela rede supermercadista norte-americana Whole Foods, conhecida por adotar diversas ações de sustentabilidade, como o uso de energia renovável e a preferência por produtores locais.

Ao fazer compras na seção de hortifrútis dos supermercados Whole Foods, o consumidor percebe quem são os personagens por trás, por exemplo, das beringelas e tomates expostos. Os produtores e suas histórias de vida são contadas em painéis com design apropriado e o consumidor passa a ter uma relação de maior afinidade com o alimento ofertado. Essa quase-arte de contar histórias já é bem explorada pela propaganda e levá-la até o ponto-de-venda, como forma de valorizar o trabalho árduo do produtor rural, pode ser uma estratégia ganha-ganha.

Para o supermercadista, comunicar-se melhor com o consumidor torna a atividade menos comercial e mais humana, aspecto essencial para fidelizar clientes. Para o consumidor, o acesso a mais informações sobre a origem dos alimentos, preenche o desejo das famílias de saber mais sobre o que se põe sobre a mesa. Pode-se até expandir ainda mais a cadeia de informações. Apresentar ao consumidor final quais tecnologias foram aplicadas na produção de determinado alimento também é uma iniciativa viável para apresentar ao público a importância da pesquisa agropecuária.

 

Durante a safra de maçã nos Estados Unidos, por exemplo, é comum a oferta de mais de uma dezena de variedades da fruta nos supermercados. Cada uma tem sua história contada. Ao apresentar com detalhe a fruta símbolo de Nova York, os supermercados educam os consumidores ao mostrar como a variedade originou-se e onde é cultivada. Algumas carregam até selos com a marca dos centros de pesquisa responsáveis pelo lançamento da variedade. A seção de açougue do Whole Foods também é emblemática em informações,desde a pastagem utilizada e o manejo do gado até o abate e transporte das carnes.

No contexto brasileiro, seria salutar, por exemplo, vermos o maracujá Gingante Amarelo, lançado pela Embrapa Cerrados, sendo comercializado com um selo e tendo a história do produtor contada no supermercado. Iniciativas como esta significam a valorização de dois importantes elos da cadeia alimentar – a pesquisa e o produtor rural – preenchendo os anseios tanto do varejo quanto das famílias consumidoras.

A comunicação com histórias bem contadas no ponto-de-venda termina por valorizar a cadeia alimentar como um todo. A valorização do alimento é importante também para o combate ao desperdício nas famílias. Se os consumidores estiverem mais cientes da origem dos produtos, e de todo os recursos necessários para que o alimento chegue até à mesa, cria-se um contexto de maior consciência sobre a cadeia alimentar, uma situação ganha-ganha que deve ser perseguida pelos produtores e varejistas.

Cabem aos produtores rurais, buscar meios para serem mais visíveis no final da cadeia. Se o consumidor não sabe quem produziu o alimento que compra no supermercado, a valorização da atividade rural torna-se mais árdua. As associações de produtores e cooperativas agrícolas, portanto, devem abrir o  diálogo com os varejistas e convocá-los para pôr em prática as iniciativas de comunicação nas redes de supermercados. Bons personagens não faltam na agricultura brasileira. Precisamos é redescobrir o mundo rural, descortinar as faces e dar voz a quem enfrenta os desafios de produzir alimento.

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*Analista da Embrapa, Doutorando em marketing pela FGV-EAESP. Foi pesquisador visitante no Cornell Food and Brand Lab. Artigo originalmente publicado na Agro DBO, reproduzido com permissão do autor.

 

Sobre o Autor

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