Global Markets APAS

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ESPECIAL

Global Markets APAS – parte 1*

 

APAS lança programa para certificar

fornecedores de alimentos ao varejo

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Alinhada com sua missão de garantir aos consumidores alimentos seguros e de qualidade, a APAS lança o Programa que pode beneficiar  o varejo de alimentos um todo.

No final de novembro, Associação Paulista de Supermercados / APAS lançou oficialmente o Programa Global Markets APAS, desenvolvido em parceria com a Food Design. Esse programa se baseia no Protocolo Internacional da GFSI (Global Food Safety Initiative), cujo foco é a gestão da segurança dos alimentos. Sua implantação ocorre de forma escalonada (etapa básica, intermediária e certificação), o que possibilita aos fornecedores de alimentos e bebidas, de qualquer porte, obter a certificação dos produtos que fabricam. Assim, o Programa alcança seu objetivo de assegurar maior confiança entre todos os envolvidos na cadeia de produtiva de alimentos.

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Presidente da APAS

O evento, realizado na sede da entidade, contou com a participação de cerca de 400 profissionais de diversos segmentos da área de alimentos.  Pedro Celso, presidente da APAS, na abertura das apresentações, destacou que a entidade mostra seu pioneirismo ao trazer para o Brasil o Global Markets APAS, tendo como objetivo principal a segurança dos alimentos, envolvendo toda a cadeia produtiva de alimentos, como agropecuária, indústria, o food service e segmento de abastecimento até o consumidor.

“A padronização da certificação aos fornecedores de alimentos proporciona inúmeros benefícios, como a melhora dos processos, a redução de custos incorporados aos produtores, o estreitamento do relacionamento entre toda a cadeia de alimentos e, claro, a satisfação de nossos clientes”, afirmou.

Paulo Pompílio, vice-presidente da APAS e coordenador do Comitê de Segurança de Alimentos da Associação, assinala que trazer esse programa para o Brasil está em conformidade com a própria missão da entidade:  “cada vez mais gerar valor para os associados”.

Benefícios a toda a cadeia

produtiva de alimentos

Ele acrescenta que, apesar de a APAS ser de São Paulo, esse Programa serve para o varejo de alimentos como um todo, para todo o País. “Não se trata de um programa exclusivo para APAS, nem exclusivo para supermercados. Ele pode beneficiar todo o setor de alimentos.  O fato de termos relação com milhares de fornecedores nos possibilita abraçar e implantar o Programa, por intermédio de nossa estrutura e contando com a parceria e know-how da Food Design”, diz ele, enfatizando que “esse é o nosso desafio: entregar a missão ao nosso associado, a seus fornecedores e todos os envolvidos para que  possamos entregar aos consumidores um alimento seguro e de qualidade”.

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Paulo Pompílio, coordenador do Comitê de Segurança do Alimento da APAS.

Pompílio diz ainda que disseminar essa cultura da segurança dos alimentos é uma das principais missões da Associação.

“Com o Global Markets APAS, estamos assumindo a responsabilidade de levar melhoria contínua para todo o setor. Nesse primeiro evento participaram profissionais de diversas áreas do setor de alimentos, o que mostra que o setor está muito empenhado em melhorar e buscar conhecimentos”, destaca, observando que a APAS tem  1.391 associados, porém no estado de São Paulo há mais de 10 mil supermercadistas, que podem se beneficiar com a adesão ao Programa. Já aderiram os grupos Walmart, Carrefour, GPA-Multivarejo, Zattão, Makro e Sonda.

Dentre as vantagens que os varejistas  podem ter é contar com uma listagem de fornecedores comprometidos com a evolução, a partir da certificação reconhecida pela GFSI, e a lista de fornecedores já certificados nas normas (IFS, BRC, FSSC 2000, entre outras); maior credibilidade; redução de redundância de auditorias, de recall, de custos e de problemas com fiscalização; além da maior garantia de aquisição de produtos seguros, conforme assinala matéria veiculada no site da entidade.

Caroline Nowak, da IFS, uma empresas  patrocinadoras do evento, explicou que a norma foi desenvolvida  na Alemanha e tornou-se umas das principais normas de segurança de alimentos da Europa.  “A IFS acredita que o Brasil tem um papel muito importante no cenário de alimentos global. O Global Markets vai ajudar o País a desenvolver mais as indústrias de alimentos e isso é muito bom, porque a demanda mundial de alimentos é crescente”.

GFSI: norma reconhecida por um,

reconhecida por todos

 

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Ellen Lopes, diretora da Food Design e Coordenadora do Global Markets APAS.

Na coordenação geral do Global Markets APAS, Ellen Lopes, diretora da Food Design, faz um breve histórico, contextualizando a importância do programa para garantir alimentos seguros. São milhões de pessoas no mundo que anualmente são acometidas por problemas de intoxicação alimentar (gastroenterites)  provocados por alimentos contaminados (dados mostram que morrem no mundo doenças provocadas por alimentos cerca de 2,2 milhões. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (Sinan) mais de  2  milhões de pessoas são afetadas  por gastroenterites decorrente de alimentos por ano).

Segundo o Ministério da Saúde, as doenças transmitidas por alimentos, mais comumente conhecidas como DTA, são causadas pela ingestão de alimentos e/ou água contaminados. Existem mais de 250 tipos de DTA e a maioria são infecções causadas por bactérias e suas toxinas, vírus e parasitas. Outras doenças são envenenamentos causados por toxinas naturais (ex. cogumelos venenosos, toxinas de algas e peixes) ou por produtos químicos prejudiciais que contaminaram o alimento (ex. chumbo, agrotóxicos).

Ellen observa que com riscos cada vez maiores, em todo o mundo, começaram a surgir normas de gestão da segurança de alimentos em diversos países e que foram se internacionalizando. Hoje, são várias as normas, como BRC-Food, PDV/GMP 13, GlobalGAP IFA, NBR 14900, entre várias outras. Ela explica que, em 2000, surgiu a GFSI – Global Food Safety Initiative, com a proposta de que se as principais normas são equivalentes, uma vez certificada por uma, deve ser reconhecida por todos. “Porém, não basta só isso – tem de ser reconhecido e divulgado”.

Esse conhecimento ampliou-se e assim criou-se um sistema, o Global Markets GFSI, que tem os seguintes requisitos, escalonados, para a certificação de produtores de alimentos: básico, intermediário e certificação (normas ou esquemas GFSI). Esse esquema possibilita ao fornecedor de alimentos para o varejo evoluir, passo a passo (cada etapa é de 12 meses), até obter a certificação. Ela informa que no momento o Programa está trabalhando com o protocolo indústria e o próximo passo será o protocolo produção primária.

Esse sistema se assenta em alguns princípios, como:

-Responsabilidade compartilhada – por todos os envolvidos: clientes, fornecedores, autoridades, prestadores de serviços, especialistas da área acadêmica, ou seja, desde os compradores até seus fornecedores;

-Melhoria contínua – evoluir passo a passo de uma etapa a outra, avançando sempre até enraizar a cultura de segurança dos alimentos;

-Colaboração – stakeholders têm de se unir para criar benefícios mútuos; pois sem colaboração o programa morre, daí haver diversos grupos de apoio; -Apoio e reconhecimento – mecanismos de apoio, de estímulo e de reconhecimento.

No Brasil, o Global Markets GFSI começou na indústria, pois algumas redes, como o Walmart, GPA/Multivarejo, Carrefour, Makro, Sonda, já haviam adotado o sistema. Porém, não era muito divulgado. Ellen conta que entrou em contato com o Comitê de Segurança Alimentar da APAS, criado em 2010, e que este abraçou a ideia de tocar em frente o Global Markets APAS, formando um grupo de trabalho para a  implantação do sistema.

O Programa conta com a parceira do IRSFD, entidade sem fins lucrativos, que viabilizou os trabalhos de retaguarda necessários para a concretização do Programa Global Markets APAS, lembra Ellen. Conforme está no site do Programa, o papel do IRSFD foi extremamente importante para o Global Markets APAS, sendo responsável pelas palestras iniciais de conscientização sobre Global Markets GFSI, pelos relatos de trabalhos feitos por outros mercados para apoiar o Programa, pela metodologia de harmonização dos check lists das diferentes redes de supermercados e pela produção do conteúdo do próprio site. Vale destacar também o patrocínio financeiro doado pelo IRSFD e pela Food Design, responsável direto pela criação do site.

Ellen Lopes, como presidente do IRSFD, explica os objetivos dessa ONG: “Agregar valor à cadeia de alimentos, apoiando negócios de alimentos menos desenvolvidos, com empreendedorismo, inovação, qualidade, segurança de alimentos e sustentabilidade, com a filosofia de pensar grande, mas começando pequeno. O ‘pensar grande’ significa melhoria e crescimento contínuo, sustentado, com vistas aos mercados interno e externo”.

 

Programa da APAS agrega

Requisitos/ trilhas socioambientais

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A base do Programa foi extraída do programa internacional Global Markets da GFSI, ficando separados como adicionais os demais requisitos/trilhas sócio-ambientais, que já eram utilizados pelas redes.  Segundo Ellen, após muitos estudos, o Grupo Técnico percebeu que todos esses check lists tinham um “coração” comum, baseados no programa internacional Global Markets da GFSI. “Esse ‘coração Global Markets da GFSI’ ficou como núcleo comum, deixando os requisitos socioambientais como adicionais harmonizados”.

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Ficou a critério das empresas clientes exigir ou não esses “adicionais”. Quando exigidos, claro que passam a ser obrigatórios, como é o caso do Walmart, GPA/Multivarejo, Carrefour, Makro e Sonda. Para flexibilizar ainda mais e propiciar maior adesão ao sistema, outros critérios podem ser exigidos, desde que a mais, e nunca a menos.

Além dos requisitos socioambientais, há vários requisitos exigidos legalmente (como alvará sanitário, alvará do corpo de bombeiros), que eram avaliados em paralelo com as auditorias. Como esse detalhamento é importante para o grupo Walmart, GPA/Multivarejo, Carrefour, Makro e Sonda, eles foram reunidos numa trilha, que faz parte dos “adicionais harmonizados”, que consiste em uma orientação para os auditores, que deve ser sempre cumprida em qualquer das cerificações, seja de IFS Food, BRC Food, seja FSSC 22000 para esse grupo de empresas (para saber mais visite do site do Programa).

No site do Programa, está a explicação sobre como funcionam as fases: no nível Básico é exigida boa parte das BPF/ GMP e alguns procedimentos como rastreabilidade, recolhimento, gerenciamento de crise, tratamento de não-conformidades, ações corretivas.

No nível Intermediário, ao Básico se adicionam exigências como APPCC/ HACCP, restante das BPF/GMP e alguns procedimentos de gestão, sempre com foco na segurança de alimentos, como gestão das reclamações, controle de documentos, seleção e monitoramento de fornecedores. Nesse nível, a empresa já terá cerca de 60 a 70% dos procedimentos implementados.

No nível de Certificação se adicionam as exigências do restante dos procedimentos que integram as normas de gestão da segurança de alimentos reconhecidas pela GFSI, podendo-se optar pela IFS Food, BRC Food, FSSC 22000, ou outras utilizadas em outros países ou regiões.

A empresa tem 12 meses para evoluir para o próximo nível. Veja a figura a seguir.

Auditoria – O Global Markets APAS conta, no momento, com quatro certificadoras qualificadas para B/I/C: DNV GL, Intertek, SGS, WQS. Quando o sistema é de  GFSI – B/I aceita prestadores de serviço, só que vamos criar regra de qualificação.

Ellen explica que a empresa que adere ao  sistema do Global Markets APAS, graças  à segurança, qualidade e certificação de seus produtos, além de vender mais nacionalmente tem um passaporte para o mercado internacional, já que muitos clientes exigem essa certificação. Isso vai ainda facilitar pequenas empresas exportarem e crescerem.  Para a divulgação do Programa, informações sobre parceiros, orientações, cadastramento, relatos de casos de sucesso, está à disposição dos interessados o site www.globalmarketsapas.com.br.

GLOBAL MARKETS – Já implantado em países da Europa, América do Norte e do Sul, o modelo do Programa (GFSI – Global Food Safety Initiative – Global Markets) prevê auditorias sequenciais para avaliar o Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos dos fornecedores em uma proposta escalável, partindo do nível básico até que o fornecedor esteja pronto para a certificação. A certificação é aceita por todos os estabelecimentos, evitando que o fornecedor passe por múltiplas auditorias dos diferentes varejistas, reduzindo custos que deixarão de ser incorporados aos produtos, além de alcançar a melhoria dos processos, reduzindo perdas e reclamações de consumidores.

Sobre a APAS A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abastecimento. A entidade tem 1.391 associados, que somam mais de 3.116 lojas.

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*Vamos publicar mais algumas matérias sobre os temas da palestras proferidas no evento, relacionadas à importância de as empresas contarem com um programa de gestão da qualidade e segurança do alimento.

Mais informações: www.globalmarketsapas.com.br

 

 

 

 

Sobre o Autor

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A Revista ALIMENTARE – Com o foco na Gestão da Qualidade e Segurança dos Alimentos e Bebidas (GQSAB) - é direcionada para profissionais, especialistas, pesquisadores e dirigentes da Cadeia Produtiva de Alimentos e Bebidas: Indústria de Alimentos & Bebidas, Food Service e Varejo de Alimentos. Tem como missão levar aos leitores as informações mais atualizadas e confiáveis, que possam contribuir para o melhor desempenho e competitividade dessas atividades.

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