Comunicação e Boas Práticas

Comunicação e Boas Práticas

A boa comunicação garante o sucesso

na implantação das boas práticas

Por Paulo Sallum*

 

paulo salum A primeira pergunta que se faz quando existem dúvidas sobre a contratação de um especialista em qualidade ou um consultor, seja para restaurantes comerciais ou industriais e até para redes de alimentação rápida – as chamadas fast-foods -, incluindo os food trucks, é: o que eu posso fazer para este cliente ou para os usuários deste serviço para melhorar a qualidade dos seus produtos?

                Será que nós, consultores de qualidade, podemos realmente fazer a diferença? Será que com nossos conhecimentos técnicos, checklists, planilhas de controle de processos manuais e outros processos com siglas diversas e exóticas podemos realmente fazer a diferença?

                A resposta, no meu entender, está exatamente na pergunta que me faço há muitos anos. Sou um consultor de qualidade técnico e competente. Mas por que, então, em muitas das vezes não consigo me fazer entender por aqueles que são responsáveis pelo sucesso do processo? Porque eu e muitos outros profissionais utilizamos uma linguagem não usual e corriqueira e nossos jargões nos distanciam dos que fazem os processos acontecerem, seja dentro de uma cozinha industrial ou de restaurantes de rua e praças de alimentação.

                Temos uma preocupação de controlar todos os passos de produção e instalamos tantos processos com a visão tecnicista de produzir higienicamente, que perdemos, muitas vezes, a oportunidade de ouvir e comunicar-se corretamente com os colaboradores. Tenho percebido durante minhas auditorias e até mesmo durante os treinamentos aos manipuladores que, se não conseguirmos nos comunicar corretamente, com uma linguagem que seja razoavelmente compreensível e aplicável em todas as esferas, e trazer a equipe para a participação, todo o trabalho trará um desgaste e pode resultar em fracasso.

                Além disso, temos que desenvolver uma parceria com os proprietários e gerentes, ou com as pessoas que decidem que os resultados podem levar a mudanças de estratégia na operação e muitas vezes na quebra de paradigmas. Uma parceria exige paciência de ambos os lados para atingir um resultado aceitável.

                Na área industrial, esse trabalho se torna, pela escala e pelo tipo de produto, mais facilmente implantável, embora a complexidade seja muito maior, já que envolve, em alguns casos, legislações internacionais. Nos restaurantes tidos como comerciais, porém, estes processos são mais simples em suas etapas. Mas, em razão da qualidade da mão de obra e das instalações, que, algumas vezes, são adaptações ou adequações de estruturas sem um prévio planejamento, torna-se um desafio constante para nós técnicos.

             

Neste sentido, empresas de prestação de serviço de controle de qualidade, com a experiência de seus profissionais, a visão multidisciplinar (veterinários, nutricionistas, engenheiros de alimentos, entre outros) e o conhecimento das legislações vigentes, podem ter mais sucesso com o varejo no que se refere à implantação de boas práticas. Outro ponto importante está no trato direto com os que decidem, ou seja, os proprietários ou gerentes, que têm a devida autonomia e compreensão da importância e do risco ao seu estabelecimento.

                Como diria Umberto Eco, pensador, escritor e filosofo: “não temos como fazer um mapa em escala 100 por 100, ou seja, real e fiel ao que acontece em qualquer local, pois tudo muda o tempo todo com as variáveis humanas”. Portanto, não temos como controlar tudo e todos o tempo todo. Porém, podemos, por meio de um processo educativo sanitário, diminuir os principais fatores de risco os estabelecimentos e equipes de trabalho. Desta forma, será possível implantar modelos de controle e checagem adaptados à realidade local.

                Nós, da Proalimentare, somos uma empresa que tem na sua missão atender os clientes de acordo com suas necessidades, dentro da ética e das legislações vigentes.

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*Paulo Sallum é médico veterinário, sanitarista e diretor da ProAli Segurança de Alimentos.

 

Sobre o Autor

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A Revista ALIMENTARE – Com o foco na Gestão da Qualidade e Segurança dos Alimentos e Bebidas (GQSAB) - é direcionada para profissionais, especialistas, pesquisadores e dirigentes da Cadeia Produtiva de Alimentos e Bebidas: Indústria de Alimentos & Bebidas, Food Service e Varejo de Alimentos. Tem como missão levar aos leitores as informações mais atualizadas e confiáveis, que possam contribuir para o melhor desempenho e competitividade dessas atividades.

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