Delson Ferraz – Tecnologias para detectar contaminantes

DETECTORES DE CONTAMINANTES EVITAM RISCOS DE RECALL NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS

 

 

[blockquote style=”1″]Delson Ferraz atua há mais de 15 anos trabalha no segmento de Alimentos e Bebidas, atuando em grandes empresas como a Eaton e a Smiths Detection, que atendem fabricantes de alimentos e bebidas. Atualmente é o Channel Manager da linha de inspeção de produtos na Thermo Fisher Scientific no Brasil. Nesta entrevista exclusiva ela aborda diversas questões relevantes quanto à contaminação de produtos alimentícios e danos à marca que podem trazer um produto contaminado.[/blockquote]

Alimentare – Como você vê o “cenário” do mercado consumidor de alimentos e autoridades de inspeção (Anvisa) – hoje – em relação à segurança de alimentos e bebidas. Está mais exigente?

Delson Ferraz – Sim, hoje o mercado está mais exigente do que no passado, principalmente, por conta da regulamentação da Anvisa, decretada em 2014. A partir dessa data, a própria Anvisa também passou a exigir mais das indústrias do segmento alimentício. Esse cuidado tem como objetivo proteger os consumidores, evitando contaminantes em alimentos e bebidas.  A nova resolução determina qual o nível de contaminação aceitável nos produtos, bem como quantidade de metais e pedras. Antes, não existia nada que determinasse isso, já que o próprio controle de qualidade de cada empresa tornava aceitável certas métricas e outras, não, o que foi padronizado pelo decreto de 2014.

Alimentare –  Como você tem larga experiência no assunto – fale também em relação a outros países, suas exigências e principalmente de produtos alimentícios importados (sabe de alguma barreira mais recente a produtos brasileiros, por exemplo?)

Delson Ferraz – Nos EUA há a FDA que regulamenta a produção e qualidade dos alimentos. A União Europeia também possui sus normas para regulamentar essa questão dos contaminantes. Tais regras já são aplicadas lá fora há muito mais tempo do que aqui no Brasil. Cada país tem um tipo de exigência, mas, de modo geral, as normas não diferem tanto. Empresas brasileiras que exportam produtos passam por níveis de inspeção determinados por seus compradores por meio de uma auditoria para checagem dos produtos e inspeção de acordo com as métricas das companhias. Trata-se de uma prática comum no mercado.

Alimentare –  O Brasil tem evoluído nesse aspecto? Ou ainda está aquém do recomendável nesse quesito? Por quê?

Delson Ferraz – Mesmo antes da resolução da Anvisa, as empresas já se preocupavam com o controle de qualidade visando à proteção de suas marcas, bem como do consumidor final, e esse nível de controle só tem aumentado. Porém, em comparação com o mercado de equipamentos dos EUA e de outros países da Europa, ainda estamos aquém do ideal, tanto pelos recursos de investimentos da indústria brasileira, quanto pela regulamentação do nível de contaminantes. São fatores diversos que contribuem para não estarmos no mesmo patamar dos EUA e Europa. Estamos engatinhando ainda nesse quesito, já que nossos avanços dependem muito da cobrança das indústrias e investimentos, por isso, até atingirmos um nível de cobertura similar ao do exterior levará algum tempo, independentemente do tipo de tecnologia que será usado, como detector de metais ou raio-x para inspeção de qualidade/verificação de contaminantes.

Alimentare – Quais as principais “falhas” que você percebe em relação a esse aspecto nas indústrias alimentos e bebidas?

Delson Ferraz – Por esse tipo de equipamento (inspeção de raio-x) não resultar em ganho de produtividade para a indústria, noto que ele acaba sendo deixado de lado, porém, é necessário ressaltar a qualidade propiciada por seu uso. Atualmente, no mercado, falta essa percepção de que, apesar de os equipamentos não gerarem ganho de produtividade, eles garantem a qualidade dos produtos e diminuem a quantidade de reclamações dos clientes. Além disso, muitas vezes, as empresas que não possuem caixa pra investimentos acabam apelando para soluções caseiras para inspeção de produtos, o que está longe de ser a solução ideal, pois esse tipo de inspeção não livra os produtos de todos os tipos de contaminação ou dos principais tipos. (Veja imagens de produtos com contaminantes)

Alimentare – Essas tecnologias representam alto custo para as empresas? Qual seu custo x benefícios? São acessíveis a pequenos e médios fabricantes de alimentos e bebidas?

Delson Ferraz – Atualmente, há diversos tipos de tecnologia, que vão desde detectores de metais até raio-x. Os detectores, para pequenos e médios, são mais acessíveis, mas o custo-benefício é grande para todas as marcas. Caso o consumidor final encontre algum tipo e contaminante, isso levará a um recall que substituirá um lote inteiro de produção. Então, os detectores tornam tornam o investimento ‘barato’ face aos problemas que podem surgir com contaminantes dos alimentos. Eles são essenciais para a preservação da marca e integridade das empresas, que podem ser facilmente manchadas com contaminações. A disseminação do uso da internet e das mídias sociais fez com que esses casos sejam ainda mais replicados mundialmente. [blockquote style=”3″]Por isso, o custo-benefício dos equipamentos avançados de inspeção de raio-x na indústria alimentícia se torna ainda mais vantajoso, já que possíveis recall’s de produtos e problemas de qualidade saem muito mais caro para as companhias. É obvio que os custos vão muito além disso, quanto se pensa nos danos à imagem da marca no mercado consumidor.[/blockquote]

Alimentare –  Os clientes (food service, varejo de alimentos…) devem exigir de seus fornecedores que adotem essas tecnologias de detecção? Como eles devem fazer isso?

Delson Ferraz – Na cadeia produtiva, os subfornecedores exigem de seus fornecedores que estejam equipados com soluções para esse controle e que possuam equipamentos e soluções com capacidade de detectar os contaminantes. Isso não exime que a própria indústria faça essa inspeção depois, pois às vezes os grandes produtores pegam ingredientes de seus fornecedores e fazem a inspeção apenas no fim de todo o processo. Grandes cadeias varejistas que atuam com marca própria têm exigido isso dos fornecedores por meio de auditoria, com recomendações de parâmetros mínimos de qualidade que devem ser cumpridos.

Alimentare –  Quais as principais tecnologias de detecção de contaminantes (e também quais os principais tipos de contaminantes que merecem a atenção dos fabricantes de alimentos)?

Delson Ferraz – Hoje, as principais tecnologias são os detectores de metais e os raio-X, há também sistemas de visão e separadores. Os contaminantes mais críticos são os que possuem densidade grande, como metais, ferrosos e não ferrosos, aço inox, pedra, vidro e osso, que podem causar maior dano aos clientes.

Alimentare – No caso de inspeção por raio-X, que tipos de contaminantes ela detecta? Ela é mais indicada para que tipos de alimentos? 

Delson Ferraz – A inspeção de raio-x detecta os principais contaminantes, como ferrosos, não-ferrosos, aço inox, pedra, vidro, osso e plásticos de alta densidade. Basicamente, são esses tipos de materiais, não há restrição para alimentos, pois as soluções podem ser usadas em alimentos in natura, a granel, embalados em papel, lata, caixa, em pó etc. No caso da contaminação dos roedores, o raio-x não detectaria o pelo em função da densidade do contaminante, já que ele é muito pouco denso, o que o torna incapaz de gerar contraste para o raio-x detectar esse tipo de  contaminação.

Alimentare – As empresas têm buscado se preparar para isso, com o uso de equipamentos e, inclusive, a capacitação da mão de obra?

Delson Ferraz – Por se tratar de uma resolução relativamente recente (a da Anvisa em 2014), as empresas ainda estão se adequando. Por enquanto, a  Anvisa aceita equipamentos para verificação e solicita também outros tipos de controle. As empresas estão buscando métodos para aumentar o controle de qualidade e evitar qualquer tipo de contaminantes. O próprio treinamento e conscientização dos colaboradores das fábricas são ferramentas de controle, já que, involuntariamente, o próprio operador pode levar contaminações aos produtos. Vale destacar que há  vantagens adicionais dos equipamentos de raios X, que além de detectar contaminantes, também identificam produto faltante, nível de enchimento, produto quebrado, produto e mal formado. Essa tecnologia avançada de sistema de inspeção de raio-X, produzida pela Thermo Fischer, por exemplo, permite a detecção de uma grande variedade de objetos estranhos, contaminação e inspeção de qualidade em produtos embalados. Além disso, o aparelho também é ideal para localizar objetos densos ou pontiagudos, além de detectar erros, como nível de enchimento em recipientes ou produto faltante, fora de lugar, quebrado ou deformado.

 

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